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Como fugir (ou sair) do endividamento pessoal?

Para trabalhar tranquilo, poder investir no seu crescimento pessoal e fazer planos, nada melhor do que estar com as contas em dia e sem preocupações financeiras. Entretanto, segundo o Banco Central, as famílias brasileiras nunca estiveram tão endividadas. Quase metade da renda das famílias brasileiras está comprometida com dívidas. Em abril deste ano, o endividamento atingiu 44,2%, maior índice desde 2005. Dados do Serasa Experian mostram que o aumento da dívida dos brasileiros foi provocado, principalmente, pelos financiamentos imobiliários.

Se você também está nesta situação de endividamento, teme estar ou quer se prevenir, vale a pena seguir os conselhos do educador financeiro Reinaldo Domingos. Para ele, o ciclo de endividamento geralmente tem origem na compra da casa própria ou do carro, os dois maiores sonhos de consumo do brasileiro. Para agir e tornar a situação favorável, descubra em que etapa você está e que medidas precisa adotar para se recuperar o quanto antes.

O ciclo do endividamento

1. A prestação da casa ou do carro está pesada para o orçamento.

Solução: tente renegociar o financiamento, com prazo mais longo e parcelas menores (incluindo o IPTU e o condomínio na conta). Se não for possível, identifique onde pode cortar gastos para priorizar as prestações.

Caso sua renda caia bruscamente e não houver perspectiva de recuperação nos seis meses seguintes, venda o imóvel e quite a dívida ou devolva o carro.

2. Você passou a pagar as despesas do dia a dia no cartão de crédito para pagar as prestações do carro ou da casa com o dinheiro.

Solução: o limite do cartão engana. Por isso, restrinja o uso do cartão d crédito ao valor real que pode ser gasto, que é o que sobra de sua remuneração, descontadas as despesas fixas e as prestações do carro ou da casa. Do contrário, você não conseguirá pagar o total da fatura no vencimento.

3. Você não consegue quitar a fatura do cartão de crédito e passa a pagar o valor mínimo até a entrada de um recurso extra.

Solução: se você quita só a parcela mínima do cartão, está pagando apenas os juros. A dívida real continua no rotativo, gerando novos juros no mês seguinte. Antes de a dívida se aprofundar, peça ao gerente a redução do limite e faça cortes nas despesas.

4. Você recorre ao cheque especial para pagar o valor mínimo do cartão.

Solução: se usou o cheque especial para pagar o cartão no mês anterior, você terá ainda menos dinheiro em conta no mês corrente para pagar a nova fatura ou a prestação do carro e da casa. A saída é se antecipar a esse estágio renegociando as outras dívidas.

5. O salário passa a ser suficiente apenas para cobrir o cheque especial.

Solução: verifique com o empregador a possibilidade de receber o salário por cheque ou dinheiro. Procure seu gerente e unifique as dívidas do cartão e demais empréstimos. Negocie uma linha de crédito mais alongada, com juros de 2,5% ao mês e prestações menores. Assim, você vai pagar não só os juros, mas o valor principal da dívida, liquidando-a pouco a pouco.

6. Você deixa de pagar a prestação da casa ou carro.

Solução: se ainda não o fez, chegou a hora de fazer um levantamento das suas despesas essenciais, como água, luz e telefone, e das que serão cortadas definitivamente — TV a cabo, celulares etc. Se está sendo procurado por empresas de recuperação de crédito, saiba que elas têm autonomia para dar descontos de 30% a 80%. Renegocie.

7. Você não tem novas linhas de crédito às quais recorrer devido à inadimplência.

Solução:  depois que seu salário deixar de ser depositado em conta, economize. Parece estranho dizer isso a alguém endividado, mas essa atitude lhe dará vantagem na negociação, quando for procurado pelas firmas de recuperação de crédito, evitando ou revertendo o cadastro negativo.

8. Fazer um acordo de demissão para pagar as dívidas com o dinheiro da rescisão e do seguro-desemprego, ou ainda (de forma mais extrema) pedir dinheiro a financeiras a juros mais altos.

Solução: em vez de uma atitude desesperada ou de empurrar o problema com mais um empréstimo, reconheça que chegou ao fim da linha e, após conscientizar a família, comece a adotar as medidas que deveriam ter sido assumidas anteriormente. “Acredite: quanto mais cedo reconhecer o problema, para si e para os outros, mais rapidamente reverterá a situação”, diz Reinaldo Domingos.

Adaptado via Exame